quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Impossível




Homem não gosta de mulher que insiste com recados consecutivos, mas também não gosta de mulher que não telefona. Mulher não gosta de homem que a persegue, mas também não gosta de homem que não a procura. Homem não gosta de mulher fácil, mas também não gosta de mulher difícil. Mulher não gosta de homem doce, mas também não gosta de homem rude. Homem não gosta de mulher que fica com muitos, mas também não gosta de encalhada. Mulher não gosta de mulherengo, mas também não gosta de travado. Homem não gosta de ser questionado, mas também não gosta de ser esquecido. Mulher não gosta de ser contrariada, mas também não gosta de gente passiva. Homem não gosta de estardalhaço, mas não adia uma bagunça. Mulher gosta de estardalhaço, desde que não vire bagunça. Homem não gosta de ser debochado, mas também não suporta ser levado sempre a sério. Mulher não gosta de brincadeiras sem graça, mas não admite a ausência de brincadeiras. Homem não gosta de fofoca, mas é o primeiro a contar as novidades aos amigos. Mulher gosta de fofoca, mas deseja preservar sua privacidade. Homem não gosta de jantar na casa da sogra, mas também precisa dela. Mulher não gosta de ser comparada com as antigas namoradas, mas também quer saber todos os detalhes. Homem não gosta de ser surpreendido, mas também não gosta de saber antes. Mulher adora um mistério, mas com aviso prévio. Homem não gosta de comprar lingerie, mas também é o primeiro a criticar a que ela está usando. Mulher ama comprar lingerie, mas também é a primeira a dizer que a incomoda. Mulher prefere calcinha bege, não aparece com a roupa. Homem abomina calcinha bege, aparece demais quando ela tira a roupa. Homem não gosta de discutir relacionamento, mas também não gosta do silêncio. Mulher gosta de discutir relacionamento, mas odeia chorar no meio da briga. Homem não tolera filmes românticos, mas não desliga quando reprisados na tevê. Mulher não agüenta filmes de ação, mas também é um alívio não pensar muito. Homem tem dificuldades para se declarar, mas faz o impossível para ser denunciado. Mulher espera declarações, mas não quando está se arrumando. Homem reclama dos atrasos, mas também detesta quem chega antes. Mulher odeia a impaciência do homem, mas também se enerva com a letargia. Homem não resiste a um videogame, mas também não deseja ser chamado de criança. Mulher abusa dos diminutivos, mas também diz que cresceu. Homem pede desculpa quando machuca, mas não aceita desculpa quando machucado. Mulher se desculpa antes de errar, depois não se lembra. Mulher desvia o assunto quando se desinteressa, mas não gosta que não prestem atenção nela. Homem não gosta de ser interrompido, mas vive interrompendo. Mulher admira poesia, mas não no sexo. Homem procura agradar a mulher ao recitar poesia no sexo. Homem não gosta de unhas vermelhas, mas fica excitado com elas num filme pornô. Mulher gosta de unhas vermelhas porque detesta filme pornô. Mulher anseia pelas flores, mas nunca tem um vaso para colocá-las. Homem gosta de mandar flores, mas desiste na hora de escrever o cartão. E ambos não gostam do meio-termo.
 Fabrício Carpinejar



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A beleza da diversidade






Ser diferente uns dos outros. É praticamente isso que me move.
Gosto de experimentar, de ousar, conhecer...e isso inclui pessoas.
Aprender com elas, entendê-las (ou não). É se construir, pegar um pouco dos outros e deixar um pouco de si...
É saber quais atitudes você apoia e quais não, mas sobretudo, respeitar.
Obviamente que caímos no julgamento e comparação, o que nos faz perder a percepção do quanto é bom essa diversidade de pensamentos e ações. Mas, e se todo mundo fosse igual? Ou se todo mundo fosse perfeito?
Essa monotonia não me pertence! Continuo e continuarei vendo beleza nos sotaques, manias, superstições, crenças, etc.  É isso que nos constitui e nos faz sermos diferentes. 
É isso que eu gosto.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Limpador de para-brisa


Em dias de tempestade, não conseguimos ver o caminho a nossa frente. Não que não tentemos, mas fica embaçado, fora de foco.
É preciso que tenhamos um amigo limpador de para-brisas, alguém que nos faça ver com mais clareza o caminho.
Alguém que saiba o caminho que estamos percorrendo e que faça que ele seja o mais claro possível.
Aceite, em algum momento você vai precisar de um amigo "limpador de para-brisa".



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não sabemos namorar



"Agora dei para mascar chiclete com sabor melancia.

Deveria esconder esse detalhe. Mórbido para quem atravessou os 36 anos.

Mas vejo o quanto escondo o romantismo debaixo da mordida. Sou açucarado. Meu beijo é diabético. Logo eu que passo uma imagem seca de bolacha de sal.

Vá lá, não vou sorrir para mim de noite ou pedir a benção para os apaixonados, mas não acredito nesta história de acomodação no romance. Que de uma hora para outra cansamos. Não é cansaço, não é que paramos de seduzir porque conquistamos e que não precisamos mais arrebatar com surpresas. Não é que estamos seguros e não arriscamos mais. Não é o conforto ou o domínio territorial.

Senão começaremos a acreditar que existe cupido. E cupido é o mais cafona dos anjos. Quem começa uma relação com cupido termina na fossa repetindo os erros ortográficos das canções sertanejas.

Confio que há gente que não saiba namorar. Não sabe namorar, e pronto. Supõe que é instintivo, natural, que é beijar, abraçar e os oceanos transportam a espuma. Que basta amar e as relações funcionam.

Mas as relações queimam pelo pouco uso. A eletricidade enferruja.

Há gente que jura que namorar é cumprir um expediente depois do expediente: jantar, conversar e transar. Há gente que não quer namorar, e sim uma amizade para dividir o que se é. Sem tensão. Sem cobrança. Sem nervosismo.

Que tudo está definido e seguro para o final do ano, que não pode ser perdido no próximo minuto. Eu acabei de perder o próximo minuto.

Namoro é ambição. É um final de semana a cada dia. É uma delicadeza insuportável, antecipar os movimentos e agradar quando não se espera. Gentileza em cima de gentileza, infindável. Um cuidado para não magoar com aviso e pergunta, com aquela educação concedida a gestantes e idosos.

Namorar requer uma atenção absoluta. E não reclame: amar pode ser para toda a vida quando oferecemos toda a nossa vida.

Tem que se preparar, ceder, abrir espaço, oferecer, renunciar. A inquietação nasce da paciência. A criatividade nasce de uma porta fechada.

É um extremismo terrorista. Explodiremos civis.

Durante algum desentendimento, mobiliza-se a genealogia da imaginação para escandalizar de novo. Carro de som, helicóptero, arranjos suicidas pela janela. Não é permitido ficar quieto, parado, para conversar a respeito. A conversa demora.

No namoro, não existe como ser egoísta. Egoísmo se deixa na portaria. É pensar pelo outro, com o outro, como o outro.

É ter uma lista de compra de mercado na ponta da língua, junto com o chiclete de melancia: qual a pasta de dente que ela usa, o xampu, o condicionador, o azeite, o leite que toma, o suco... Desconhecer a geladeira da namorada é passagem direta para o congelador.

É entrar numa livraria e pensar no livro que ela vai gostar, é entrar numa loja e pensar um vaso que combinaria com sua sala, é entrar no cemitério e sonhar com um mausoléu para a família, sim, planejar a morte junto - nada mais romântico.

É entrar em si mesmo e lustrar as memórias mais distantes para parecer orfão antes de sua chegada.

Agora dei para mascar a minha boca." - CARPINEJAR, F.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sinceridade?

Se me perguntam uma qualidade e um defeito a resposta é a mesma pra ambas perguntas: ser sincera.
É bom por falar tudo o que se pensa, mas é ruim quando o seu pensamento machuca quem os ouve. É bom por falar e esperar que também o falem, mas é ruim quando o falam e você não espera.
Mas dizer o que se pensa é COMPLETAMENTE DIFERENTE de dizer o que se sente. Eu consigo tranquilamente te dizer que sua roupa está feia e que aquele seu peguete não vale nada, mas não consigo te olhar nos olhos e dizer o quanto você é importante pra mim, ou que quero que você suma, ou que fique e me abrace.
É aquela guerra interminável entre razão e emoção.





Minha razão se sente na obrigação de dizer tudo, joga no ataque... minha emoção joga na defesa, cheia de escudos. Talvez mais fácil alguém penetrar do que ela própria se libertar. Jogo com o psicológico também, me boicoto. Medo. Medo sim. O único medo que eu sei que tenho. O medo de falar e ser cedo demais, tarde demais. Existe hora pra se dizer o que sente? Existem ouvintes? Existe quem não destorça tais palavras?
Enquanto minhas perguntas ficam sem respostas, eu continuo na não sinceridade dos sentimentos. Não que não me angustie (as vezes tenho vontade de gritar - mas não sei como-), não que não seja necessário, não que eu não sinta nada por ninguém (muito pelo contrário, só minha maneira de demonstrar que é diferente), mas é falta de coragem, de aprender como se faz e até como se ouve.
Um dia eu chego lá, quando estiver pronta e com a pessoa certa (Não, não me refiro ao príncipe encantado, mas a qualquer um que me deixe a vontade para fazer isso, sem qualquer tipo de receio).
Enquanto esse belo dia não chega: amores, tenham paciência! ;)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"Amaré"




Vi por ai que hoje, 17 de agosto, é dia do amor. Taí um momento pras pessoas pensarem SE elas amam, QUEM elas amam ou O QUE elas amam... E não to falando daquele amor banal que têm saído da boca de muitas pessoas com frequência... se é que é amor. 




Sei que existem vários significados e modos de se sentir, diferente pra cada pessoa. Mas o que importa é que amem, e não falo de paixão, que nos deixa bobos. Mas amor maduro. Amor de gente. Por nós mesmo, pela família, pelo animal de estimação, pelo companheiro (a), à vida, sei lá. Faz bem, enriquece, trás vida.Às vezes a gente esquece, mas existem coisas e pessoas que eu amo e agradeço por existirem..

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Rir pra não chorar






São sucessões de lembranças, primeiro minha mãe quando eu era bem pequena, depois minha tia, quando já tinha meus 10 anos, e depois uma amiga de escola. Todas dizendo a mesma coisa: "Nem todos tem a ver com os seus problemas, por isso não desconte, não chore, não pareça triste pra quem não tem nada com isso. Ninguém pode ser culpado de problemas seus".
Não é questão de ser falso e sim bom senso. Não vou sair por ai esbravejando e colocando o dedo na cara de todo mundo porque não tive capacidade de lidar com os meus problemas. Resolva-os com quem tem que ser resolvido, namorado, amigo, família, espelho. Mas não desconte nos outros, não existe coisa mais feia...
Minha mãe, tia e amiga só expressaram aquilo que eu sempre pensei e confirmei com o passar dos anos.
É claro que em alguns momentos queremos colo, fazemos aquele drama, mas se a pessoa não sabe do enredo não vai te entender, não vai poder te acalentar da maneira que você esperava e pronto, mais alguém pra culpar...
Aprender a lidar com os nossos próprios problemas, resolvê-los ou esquecê-los, faz parte da nossa evolução. Jogar nas costas de outros, não vai evoluir ninguém...
As vezes sorrir enquanto chora internamente é a melhor solução.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Se me cativas...

Cada dia que passa eu acredito mais ainda que cada um tem de mim exatamente o que cativou.
É inexplicável a atenção que dou para uns e desprezo para outros, sem motivo. Na verdade com motivo sim, suas lamúrias, crises, momentos me são totalmente dispensáveis, não que não sejam verdadeiros, mas não me parecem importantes... 


Criação, educação, aprendizado, chame como quiser, mas não tem como negar que existem coisas que simplesmente não aceitamos, não concordamos. E não é questão de não entender o outro, porque modéstia a parte, este é um dos exercícios que eu mais gosto e acho que os exerço bem, mas vai contra meus princípios.


Enfim, é óbvio que eu me doo para todos os que eu nutro algum carinho, admiração, amor e etc (e não necessariamente num relacionamento recíproco, costumo gostar de quem não gosta de mim, por mais que, evidentemente, dure menos) mas alguns tem mais minha atenção do que outros. 

Alguns simplesmente me têm.





O Menestrel




Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
- W. Shakespeare